19/08/2015

Ah, eu sei o que estou cantando! Será?
Mocidade Nova Vida23:09 0 comentários


Todos nós sabemos que cantar é uma forma de adoração a Deus, logo quando o fazemos devemos atentar a algumas coisas. Hoje não falaremos sobre notas musicais e melodias, mas, sim, sobre as letras!
O Ap. Paulo nos orienta que nosso culto deve ser racional (Rm 12.1), e o cantar faz parte do cultuar a Deus, logo o cantar também deve ser racional!
As melodias dos hinos e louvores tendem a nos envolver durante a adoração, mas isso não deve nos impedir de atentar ao que estamos falando de Deus e/ou para Deus.
Hoje a música tida como gospel possui um repertório muito vasto. Atualmente temos letras que falam sobre as mais diversas situações da vida cristã: dificuldades, vitórias, relacionamentos, perdão, conquistas, grandeza e  poderio de Deus... Enfim, temos letras que falam sobre tudo ou quase tudo da vida cristã. Porém eu gostaria de analisar com vocês três aspectos que, a meu ver, devem ser vistos quando nos propomos a cantar algo pra Deus.
Primeiro: Se a letra da música vai de encontro com os ensinamentos bíblicos.
Segundo: Quem de fato ela louva.

Terceiro: Se ela retrata algo que vivemos ou a nossa perspectiva da vida cristã.
Vamos começar pelo primeiro aspecto: Aquilo que cantamos tem que falar sobre coisas que agradam a Deus e vão de encontro com verdades bíblicas. Por exemplo, Deus deixa claro em sua palavra que a vingança pertence a Ele (Rm 12.19) e que Ele deseja que nós amemos até os nossos inimigos (Lc. 6.27). Sendo assim, quando cantamos algo que seja contrário a isso estaremos desagradando a Deus, pois estaremos descumprindo sua palavra e permitindo que se desenvolva em nossos corações sentimentos que Ele não nos orientar a desenvolver, como triunfalismo (1Pe 5.6) ou superioridade (Filipenses 2.3), fazendo-se entender  como verdade coisas que, se for analisadas biblicamente, não fazem parte do caráter de Cristo, muito menos do desejo d’Ele para nós.
Outro exemplo são as distorções bíblicas que acontecem; é bem sabido que em Romanos 8.28 se fala que “todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que foram chamados segundo o seu propósito”, mas isso não quer dizer que porque as coisas cooperam para o meu bem elas irão acontecer como eu quero ou desejo, que só terei vitórias porque Deus quer o meu bem. Jesus nos alertou, “...no mundo tereis aflição, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo” ( João 16.33) e em sua palavra também diz que  Ele faz com que o sol se levante sobre os maus e os bons e que a chuva desça sobre os justos e injustos (Mt. 5.45), ou seja, Ele deixa bem claro que a vida não seria, nem será, apenas de pétalas de rosas, mas que além delas também desfrutaríamos dos espinhos.
Vamos ao segundo aspecto: Na bíblia temos exemplos de homens de Deus como Jeremias que traziam à sua memória fatos que pudessem fazer com que tivesse esperança quanto ao futuro (LM 3.21), pois Salomão já dizia que a esperança tardia faz adoecer o coração (Pv. 13.12), mas todavia se o meu louvor é pra Ele, Ele deve ser o meu objeto de adoração e não o meu ego, os meus problemas e as minhas dificuldades. Uma coisa é através de um louvor eu ser lembrada da grandeza de Deus, o seu poder e a capacidade que Ele possui para fazer o que eu não posso, outra coisa é usar algo que deveria o enalteceria para massagear meu ego com coisas do tipo eu mereço, eu sou isso, eu faço aquilo e por aí vai. 

Os louvores precisam ser cristocêntricos e não antropocêntricos, o alvo do louvor deve ser falar de Deus e da sua grandeza e não do homem e dos seus anseios; nessa situação quando falo em anseios não me refiro aos espirituais, mas, sim aos materiais e terrenos que, na maioria das vezes, não visam à glória de Deus nem a adoração a Ele, mas, sim, suprir necessidades egoístas que não nos levam a Deus nem a lembrar de quem Ele é. 

Agora o terceiro e último aspecto:
Em Mateus 12:34 fala-se que a boca fala do que o coração está cheio, porém algumas vezes ao cantar não atentamos para ver se as nossas palavras vão de encontro com as nossas verdades e até testemunho. Não são poucos os louvores que têm a frase "Senhor, eu te amo.", só que há um detalhe nisso, se no dia a dia você não vive uma vida que através dos seus atos você demonstre amar a Deus, você, querendo ou não, está mentindo quando levanta as mãos na igreja e começa a cantar "Aaah, eu te amo Senhor!". De início isso pode não parecer nada grave, afinal, quem é que sabe se eu amo a Deus apenas em palavras ou não? Deus. A reposta é Deus! É no mínimo feio tentar adorar através de uma mentira Aquele que sabe todas as coisas. Então, Sâmia, quer dizer que eu não posso mais falar que amo a Deus? Não. Não é isso que estou falando! Estou dizendo que as suas palavras devem acompanhar suas atitudes. Uma das coisas que Deus mais se agrada é de um coração sincero. Sempre que você se propor a adorá-lo, seja verdadeiro! Reconheça quando você não está agindo correto para com Deus e procure fazer com que suas palavras acompanhem sua forma de viver.

Outro ponto interessante é possível de ser visto através dessa letra “... Entra na minha casa, entra na minha vida... Largo tudo pra te servir!” Oi?! Foi isso mesmo que você falou? Que larga tudo para servir a Deus? Veja, nessa situação ocorre o inverso da citada acima, mas se não tomar cuidado cai no mesmo resultado, a mentira. A situação é inversa porque não fala de algo que está acontecendo (no caso acima amar ou não), mas sim que poderá acontecer, você largar tudo para servir a Deus. Se Deus pedisse hoje para você pedir demissão do seu emprego, vender sua casa e bens, se afastar dos seus entes queridos e tudo mais, você o faria para servi-lo? Se não, então porque o diz que faria? Dizer que está disposto a algo que de fato não está nada mais é do que mentir.
 O último ponto que gostaria de analisar com vocês dentro desse aspecto é: ter noção do que estamos pedindo a Deus. A Cassiane tem um louvor que em uma das suas estrofes fala assim “... Toma o vaso, quebra e molda, sou teu servo, eis-me aqui!”, poeticamente e até espiritualmente essa frase é linda, porque demonstra uma total entrega a Deus, mas você tem dimensão do que isso na prática representa? Do que de fato você está pedindo a Deus? Em outras palavras você está falando “Senhor, faz o que for preciso comigo, mas me deixa do jeito que o Senhor quer! Pode me machucar, apertar ... Sou todo teu!” Nossa, Sâmia! Que forte! Nunca havia pensado desse jeito. Então a partir de hoje não vou mais cantar coisas desse gênero! Foi pra isso que você me falou né?! Não! Meu intuito não é que você deixe de dar liberdade para Deus atuar na sua vida através das petições em forma de louvor. Meu intuito é que você compreenda que há uma carga de reponsabilidade naquilo que você canta pedindo a Deus, pois o que pedimos em oração seja falada ou cantada, Deus nos concede e realiza.
Para finalizar o post de hoje quero deixar bem claro que, como disse acima, meu intuito não é fazer com que ninguém cante mais nada a partir de hoje, ou que você vire um neurótico com relação às letras dos louvores. Meu desejo é que você comece a refletir também sobre o que você tem apresentado a Deus cantando, que seu culto seja racional por completo, que você o adore compreendendo o que está fazendo examinando a fundo as suas próprias intenções e não se deixando levar apenas pela emoção ou porque você “curte” determinada melodia, ritmo ou cantor.
Fiquem com Deus!


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